A ausência

Ao longo dos anos consciencializei-me do facto de ter uma madrinha que não estava presente. Via e ouvia toda a gente que fazia isto ou aquilo com a madrinha, que recebia mil prendas e que era como uma segunda mãe. Não foi fácil e foram algumas as vezes em que preferia não falar no assunto.
A última vez que contei com a presença dela andava eu na primária (já lá vão 10 anos ou mais) e lembro-me de tudo como se fosse hoje. Lembro-me de o meu pai me chamar no recreio e me dizer que não ia ás aulas á tarde porque ia com os meus tios buscar a minha madrinha ao aeroporto. Fiquei nervosa porque afinal de contas era a primeira vez que ia olhar para ela e ter noção de tudo, visto que a ultima vez ainda era bébé! Criou-se uma ligação tão grande e tão bonita que me recordo e recordarei para sempre! Ia com ela para todo o lado, e foi com ela que aprendi a jogar o jogo do Snake quando ainda só existiam os telemóveis da idade da pedra como os Nokia's (haha).
No dia em que voltou para a Austrália chorei na hora da despedida e recordo-me tão bem das duas musicas que passaram nessa altura, por isso, quando as ouço é essa a primeira coisa que me vem á cabeça. A ligação, as saudades, as lágrimas e a pessoa que eu queria ter mais presente na minha vida.
Apesar das mudanças da vida e das escolhas que todos tomamos, e apesar de viver no outro lado do planeta é das poucas pessoas que algum dia vou perdoar, porque sei que se estivesse presente teria sido exatamente como eu sempre quis e imaginei.
Quero muito voltar a viver aquele encontro, voltar a ser aquela criança com a diferença de agora ser maior e mais crescida. Vou ficar nervosa, bastante, mas nesse dia vou ser (ainda) mais feliz !

Lot's of Love,
Priscila

1 comentário:

  1. Eu quase nunca vejo meus padrinhos, mais a minha madrinha, na verdade eu nao gosto dela e ela tbm nao parece gostar de mim. Ja o meu padrinho sempre que vejo ele, ele fala comigo.

    www.garotadosuburbio.com

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